sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Casa dos mil espelhos


Tempos atrás em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos 1000 espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube deste lugar e decidiu visitar. Lá chegando, saltitou feliz escada acima até a entrada  da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando tão rapidamente quanto podia.

Para sua grande surpresa, deparou-se com outros 1000 pequenos e felizes cãezinhos, todos com suas caudas balançando tão rapidamente quanto a dele. Abriu um enorme sorriso, e foi correspondido com 1000 enormes sorrisos. Quando saiu da casa, pensou:
- Que lugar maravilhoso!

Voltarei sempre, um montão de vezes. Neste mesmo vilarejo, um outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu 1000 olhares hostis de cães que lhe olhavam fixamente, rosnou e mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver 1000 cães rosnando e mostrando os dentes para ele.

Quando saiu, ele  pensou:
- Que lugar horrível, nunca mais volto aqui.
Todos os rostos no mundo são espelhos. Que tipo de reflexos você vê nos rostos das pessoas que você encontra?

E não é para pensar (e mudar)?

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A Casa dos mil espelhos


Tempos atrás em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos 1000 espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube deste lugar e decidiu visitar. Lá chegando, saltitou feliz escada acima até a entrada  da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando tão rapidamente quanto podia.

Para sua grande surpresa, deparou-se com outros 1000 pequenos e felizes cãezinhos, todos com suas caudas balançando tão rapidamente quanto a dele. Abriu um enorme sorriso, e foi correspondido com 1000 enormes sorrisos. Quando saiu da casa, pensou:
- Que lugar maravilhoso!

Voltarei sempre, um montão de vezes. Neste mesmo vilarejo, um outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu 1000 olhares hostis de cães que lhe olhavam fixamente, rosnou e mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver 1000 cães rosnando e mostrando os dentes para ele.

Quando saiu, ele  pensou:
- Que lugar horrível, nunca mais volto aqui.
Todos os rostos no mundo são espelhos. Que tipo de reflexos você vê nos rostos das pessoas que você encontra?

E não é para pensar (e mudar)?

A Carta


Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Suas notas e o comportamento eram uma decepção para seus pais que, como bons cristãos, sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.

Um belo dia, o bom pai lhe propôs um acordo:
- Se você, meu filho, mudar o comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina, lhe darei então um carro de presente.

Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversão sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel. Isso era mau!

O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim, o grande dia chegou! Fora aprovado para o curso de Medicina. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel.

Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.

A partir daquele dia, o silêncio e distância separavam pai e filho. O jovem se sentia traído e, agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade. Raramente mandava notícias à família.

O tempo passou, ele se formou, conseguiu um emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu. Faleceu...

No enterro, a mãe entregou ao filho, indiferente, a Bíblia que tinha sido o último presente do pai e que havia sido deixada para trás. De volta à sua casa, o rapaz, que nunca perdoara o pai, quando colocou o livro numa estante, notou que havia um envelope dentro dele.

Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia:
"Meu querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro Eu
prometi e aqui está o cheque para você escolha aquele que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o Amor a Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência".

Corroído de remorso, o filho caiu em profundo pranto.

E a carta finalizava assim:
"Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isso leva a
erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde, perdoe aquele a quem você pensa ter lhe feito mal. Talvez se olhar com cuidado, vai ver que há também um cheque escondido."

A Carne é Fraca


Quando alguém procura uma desculpa para justificar suas fraquezas, é comum ouvimos a afirmativa de que a carne é fraca. A culpa, portanto, é da carne, ou seja do corpo físico. Esse é um assunto que merece mais profundas reflexões.

O alemão Hahnemann, criador da medicina homeopática, fez a seguinte afirmativa: "o corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?"

Sábia consideração essa, pois encerra grandes verdades.

Culpar o corpo pelas nossas fraquezas equivaleria a culpar a roupa que estamos usando por um acesso de cólera.

Quando a boca de um guloso enche-se de saliva diante de um prato apetitoso, não é a comida que excita o órgão do paladar, pois sequer está em contato com ele.

É o espírito, cuja sensibilidade é despertada, que atua sobre aquele órgão através do pensamento.

Se uma pessoa sensível facilmente verte lágrimas, não é a abundância das lágrimas que dá a sensibilidade ao espírito, mas precisamente a sensibilidade deste que provoca a secreção abundante das lágrimas.

Assim, um homem é músico não porque seu corpo seja propenso à musicalidade, mas porque seu espírito é musicista. Como podemos perceber, a ação do espírito sobre o corpo físico é tão evidente que uma violenta comoção moral pode provocar desordens orgânicas.

Quando sofremos um susto, por exemplo, logo em seguida vem a sudorese, o tremor, a diarréia, etc.

Outras vezes, um acesso de ira pode provocar dor de cabeça, taquicardia, e até mesmo deixar manchas roxas pelo corpo. Quanto às disposições para a preguiça, a sensualidade, a violência, a corrupção, igualmente não podem ser lançadas à conta da carne, pois são tendências radicadas no espírito imortal.

Se assim fosse, seria fácil, pois não teríamos nenhuma responsabilidade pelos nossos atos, desde que, uma vez enterrado o corpo, com ele sumiriam todas as fragilidades e os equívocos cometidos.

Toda responsabilidade moral dos atos da vida fica sempre por conta do espírito imortal, e não poderia ser diferente.

Assim, quanto mais esclarecido for o espírito, menos desculpável se tornam as suas faltas, uma vez que com a inteligência e o senso moral nascem as noções do bem o do mal, do justo e do injusto.

Todos nós, sem exceção, possuímos na intimidade a centelha divina, a força capaz de conter os impulsos negativos e fazer vibrar as emoções nobres que o Criador depositou em nós.

Fazendo pequenos esforços conquistaremos a verdadeira liberdade, a supremacia do espírito sobre o corpo. E só então entenderemos porque Jesus afirmou: "vós sois deuses, podereis fazer o que eu faço, e muito mais."

A CARIDADE NO BANCO DOS RÉUS


- Mande entrar a ré! - ordenou o juiz.

O tribunal estava montado. A mulher, com passos tímidos, avançou e acomodou-se no banco dos réus . O advogado da acusação estava preparado; as perguntas, direcionadas à ré, fizeram-se ouvir na sala da justiça:
- Qual o seu nome?
- Caridade - respondeu a interpelada.

- A senhora sabe que está sendo acusada de alimentar a ociosidade e a preguiça dos indigentes da nossa cidade criando obstáculos para que a municipalidade os eduque e os instrua nos conceitos de cidadania?
- Sim.

- A senhora reconhece que, com sua ação, dita caridosa, tem contribuído para o aumento de indigência sustentada?
- Não.

- Consta dos autos do processo que a senhora, na sua instituição, atende pessoas de má vida, consideradas pela lei como contraventoras e até criminosos, e que a senhora não faz distinção entre eles e os cidadãos de bem. Confirma?
- Sim.

- Consta, ainda, que um cidadão honrado, respeitável membro da nossa comunidade, tomando de boa fé a procurou para pedir orientação sobre um processo justo que deveria mover contra os herdeiros, de cuja herança também tinha por direito participar, e a senhora tentou dissuadi-lo dessa ação, contrariando a Constituição do nosso país que prevê os direitos do indivíduo. A senhora confirma?
- Sim.

- Meritíssimo, nada mais tenho a inquirir à acusada - declarou o porta-voz da acusação.

Nesse momento o juiz convoca o advogado de defesa. Prontamente ele se coloca diante da acusada e lhe indaga:
- A senhora tem na memória há quanto tempo se dedica a socorrer as necessidades humanas?
- Não. 

Voltando-se para os jurados, o causídico inicia a defesa:
- Sabemos, e isto é conhecido de todos nesta cidade e nas cidades vizinhas, que a acusada, com seu carinho e a sua dedicação, tem convertido almas para o bem, principalmente aqueles que a procuraram na condição de contraventores e criminosos, e que hoje são pessoas trabalhadoras e honradas

Poderíamos citar aqui uma centena delas. Devo acrescentar ainda que, para municipalidade instruir nossos irmãos indigentes e reintegrá-los à sociedade, é necessário que eles estejam vivos! Não fosse o trabalho de amor, socorrendo com remédios, alimentos e roupas a esses infelizes, quantos não teriam sucumbido de fome e de frio? Não fosse ainda o calor humano que empresta a nossa irmã aqui acusada a esses irmãos, quantos, no auge do desespero, não teriam praticado o suicídio na fuga desesperada do sofrimento?

- Quanto ao nobre cidadão que a procurou de boa fé, e cuja historia consta dos autos, saibam os senhores que, depois de gastar suas economias em um processo do qual não tinha direito constituído, é hoje um dos indigentes que sobrevivem da ação caridosa da nossa irmã acusada.

Para surpresa de todos, complementou sua defesa fazendo uma inspirada exaltação. Com os braços estendidos na direção do banco dos réus, afirmou:
- Senhora Caridade! Rainha da Luz! Procurei por você entre os ricos que distribuem as sobras, mas fui encontrá-la entre os mendigos que repartem entre si as migalhas que os alimenta e os trapos que os aquecem. Procurei por você nos grandes templos das religiões do mundo, mas fui encontrá-la entre o povo, estendendo suas mãos generosas, socorrendo a necessidade humana, oferecendo, além do pão, o calor da fraternidade e do amor que reconforta o espírito. Seguindo o seu rastro de luz, pude ver muitas feridas do corpo e da alma cicatrizando-se ante a ação do seu inigualável amor.

E hoje você está aqui! Diante do tribunal da insensatez humana sendo julgada por amar demais seus semelhantes. Sei que as leis que orientam o seu coração estão além das leis mesquinhas dos homens. Por isso, peço-lhe, perdoa-nos alma querida e justa, pois os homens ainda não sabem o que fazem.

Encerrada a defesa, o júri absolveu a acusada por unanimidade.

A Caridade


Terminara, finalmente, o insigne poeta o seu árduo trabalho: grandioso poema sobre as maravilhas de Deus na ordem do cosmos.
E agora, numa roda de amigos e admiradores, declamava o mais belo capítulo da obra prima do seu engenho. Foi um assombro total!
De tamanha beleza eram as idéias, tão profundos os conceitos, tão cintilantes as frases, tão suaves as cadências dos períodos, que os ouvintes ficaram como que extáticos de enlevo.
E quando o poeta, no auge do entusiasmo, declamava a mais grandiosa página do poema, ouviu-se bater à porta da casa.
Mais se avolumou a voz do inspirado poeta, mais vibrante se tornou o seu estro, para abafar o ruído do inoportuno visitante.
Persistem, porém, na porta, os golpes indiscretos. Interrompe então o cantor das grandezas de Deus a faiscante cadeia de idéias e, contrariado, com um arranco violento, abre a porta.
"Por gentileza, senhor, a sua roupa suja" diz uma vozinha tímida, coando dos lábios pálidos duma menina magríssima. É a filha da pobre lavadeira. "Agora não posso, menina! Venha amanhã!"

"Mas a mamãe vai ficar sem serviço, e sem pão, somos tão pobres. Por favor senhor, a sua roupa suja"
"Não posso, já disse!"
Com estrondo infernal se fecha a porta na cara da pálida menina. E, tornando a subir ao estrado, retoma o trovador o fio do poema. Por entre tempestades de aplausos termina a declaração da grande apoteose que elaborou pela maior glória de Deus.
Felicitações, abraços, sorrisos, elogios e luminosas perspectivas.
Altas horas da noite...
Surge no seio das trevas o rosto pálido duma menina paupérrima. Corre pelo quarto olhares sonâmbulos, apanha da mesa os originais do poema, folha por folha e as rasga em mil pedaços. E jogando-as ao cesto de papéis murmura: "Roupa suja, senhor". E desaparece.
O poeta acorda, os originais lá estão, intatos. E põe-se a pensar, a pensar, a pensar. É verdade que escrevi este poema pela maior glória de Deus? Se é verdade, porque não cantei, ontem à noite, o mais belo de todos os poemas do mundo, o poema da Caridade? Por que não entreguei à probrezinha a minha roupa suja? Por que preferi à caridade a minha vaidade?
Levantou-se e resolveu, logo de manhã, entregar à filha da lavadeira a roupa suja que ela pedira, e lavou com as lágrimas do arrependimento a "roupa suja" que tinha dentro da alma. E o seu coração cantou em silêncio o mais lindo poema de humanidade.
O divino poema de Jesus de Nazaré!!

A canoa



Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro.

Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro: Companheiro, você entende de leis?

Não, respondeu o barqueiro.E o advogado compadecido: É pena, você perdeu metade da vida.

A professora muito social, entra na conversa: Seu barqueiro, você sabe ler e escrever? Também não, respondeu o barqueiro.

Que pena! Condói-se a mestra, você perdeu metade de sua vida!

Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco. O barqueiro preocupado, pergunta: Vocês sabem nadar?
NÃO! Responderam eles rapidamente.

Então é uma pena, conclui o barqueiro. Vocês perderam toda a vida.

Não há saber maior ou saber menor. Há saberes diferentes.

(Paulo Freire)

A Canção dos Homens


“Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança”.   Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção.   Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção. Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.   Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".
"Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da  comunidade forma um círculo ao seu redor.
Então lhe cantam a sua canção". "A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém."   "Teus amigos conhecem a "tua canção" e a cantam quando a esqueces.   Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.

(Tolba Phanem)

A Cadeira


O sacerdote foi chamado para orar por um homem muito enfermo. Quando o sacerdote entrou no quarto, encontrou o pobre homem na cama com a cabeça apoiada num par de almofadas. Havia uma cadeira ao lado da cama, fato que levou o sacerdote a pensar que o homem estava aguardando a sua chegada.

- Suponho que estava me esperando? - disse o sacerdote.
- Não, quem é você? - respondeu o homem enfermo.
- Sou o sacerdote que a sua filha chamou para orar por você; quando entrei e vi a cadeira vazia ao lado da sua cama, imaginei que você soubesse que eu viria visitá-lo.
- Ah sim, a cadeira! Entre e feche a porta.

Então o homem enfermo lhe disse:
- Nunca contei para ninguém, mas passei toda a minha vida sem ter aprendido orar.
Não sabia direito como se deve orar. E nunca dei muita importância para a oração. Pensava que Deus estava muito distante de mim.

- Assim sendo, há muito tempo abandonei por completo a idéia de falar com Deus.

Até que um amigo me disse:
“José, orar é muito simples. Orar é conversar com Jesus, e isto eu sugiro que você nunca deixe de fazer... você se senta numa cadeira e...

...coloca outra cadeira vazia na sua frente. Em seguida, com muita fé, você imagina que Jesus está sentado ali, bem diante de você. Afinal Jesus mesmo disse:

- “Eu estarei sempre com vocês”.
- Portanto, você pode falar com Ele e escutá-lo, da mesma maneira como está fazendo comigo agora.

- Pois assim eu procedi e me adaptei à idéia. Desde então, tenho conversado com Jesus durante umas duas horas diárias. Tenho sempre muito cuidado para que a minha filha não me veja... pois me internaria num manicômio imediatamente.
O sacerdote sentiu uma grande emoção ao ouvir aquilo, e disse a José que era muito bom o que estava fazendo e que não deixasse nunca de fazê-lo.

Em seguida orou com ele e foi embora.
Dois dias mais tarde, a filha de José comunicou ao sacerdote que seu pai havia falecido.
O sacerdote então perguntou:
- Ele faleceu em paz?
- Sim, quando eu estava me preparando para sair, ele me chamou ao seu quarto.

Ele disse que me amava muito e me deu um beijo. Quando eu voltei das compras, uma hora mais tarde, já o encontrei morto. Porém há algo de estranho em relação à sua morte, pois aparentemente, antes de morrer, chegou perto da cadeira que estava ao lado da cama e encostou a cabeça nela. Foi assim que eu o encontrei.
Porque será isto? – perguntou a filha.

O sacerdote, profundamente emocionado, enxugou as lágrimas e respondeu:
- Ele partiu nos braços do seu melhor amigo...

É curioso como podemos enviar contos e brincadeiras através de e-mails os quais se desfazem como poeira;
porém quando se trata de mensagens de Deus, pensamos duas vezes antes de compartilhá-los com os outros.

É estranho como a luxúria nua e crua, vulgar e obscena, viaja livremente através do ciberespaço, porém quando se trata das palavras de Jesus, ela é suprimida das escolas e dos locais de trabalho.

A cada manhã

Calou-se o riso
E o sorriso se desfez na palidez da notícia. Minha criança interior chorou pelo fim do Arrelia. Calou-se o riso e fez-se o pranto.

Muitos anos de alegria se findou naquele instante. Lembranças vieram rufantes como um tufão arrasante.

Como vai, como vai, como vai, vai, vai?
Eu vou bem, muito bem, muito bem, bem, bem.
E ele chegava com a sua bengala perturbando o Pimentinha provocando gargalhadas nas mil pantomimas criadas peripécias de um palhaço que a criançada adorava.

Quantas vezes parei de brincar para o ver se apresentar sentada frente à televisão.
Em preto e branco é verdade mas sua magia colorida a todos contaminava nos fazendo esquecer da vida enquanto se apresentava.

Foram momentos felizes que a todos contagiava risadas gostosas trocadas nas brincadeiras armadas que tanto nos ensinava.

Mesmo que tenhas partido estarás em meu coração consolidado em lembranças com a graça e naturalidade de um verdadeiro palhaço em seu picadeiro encantado de meus tempos de criança.

(Neli Neto)

A cachoeira da Paz


 
Era uma vez dois bandos que disputavam entre si para ver quem via melhor a Cachoeira da Paz, que ficava lá em cima, na montanha da Luz Eterna.

Os do lado de cá diziam que daqui é que se vê quase tudo.
Os do lado de lá juravam que de lá é que se via praticamente toda a extensão da cachoeira.

Gritavam uns para os outros e convidavam quem passava a conhecer a cachoeira do seu lado, porque o seu lado é que era o melhor.

E havia os que aproveitavam para fazer propaganda contra os que do outro lado afirmavam ver alguma coisa:

- Eles estão nas trevas, eles ainda estão na ignorância, eles ainda não viram direito. Deus não lhes deu o que deu a nós. Nós, sim, podemos ver quase tudo porque Deus nos escolheu para deste lado ver o que pode e deve ser visto. Venha para o nosso lado. Daqui é que se vê a verdade da cachoeira...

Bebiam da mesma água, mas até isso eles deturparam: um lado dizendo que a água do outro lado era mais suja.
Um dia, um adulto sério os convidou a olhar a cachoeira juntos do meio do rio e a beber das águas limpas juntos.

Alguns foram e gostaram e aproveitaram para conversar.
Outros não quiseram aceitar o convite porque achavam que era um truque para fazê-los mudar de lado e não para ensinar a ver juntos ou beber juntos.

Os que foram lá para o meio ficaram amigos e nunca mais um falou contra o outro.
Por várias razões, continuaram a valorizar o seu ângulo pra onde voltavam de vez em quando, mas davam sempre um jeito de ir beber junto com os irmãos do outro lado.

Construíram uma plataforma e uma ponte que facilitasse o trânsito entre eles.
Agora, sempre que podem, dão um jeito de se ver.

Gostaram da experiência de nadar e beber juntos daquelas águas que descem da cachoeira.
Os que não foram continuam criticando, impedindo os outros de irem e achando mil defeitos em quem bebe do lado de lá ou bebe junto, pior ainda dos que mergulham juntos.

- É por causa deles que a vida naquele rio ainda é cheia de problemas.
Por causa deles, a maioria dos projetos de melhorar o rio e a região continuam parados.
Eles se acham os donos daquelas águas. Acham que Deus as deu somente a eles...

(Pe. Zezinho)

A busca do sábio


O abade Abraão soube que perto do mosteiro de Sceta havia um sábio. Foi procurá-lo e perguntou:
-Se hoje você encontrasse uma bela mulher em sua cama, conseguiria pensar que não era uma mulher ?
- Não, - respondeu o eremita, - mas conseguiria me controlar.
O abade continuou:
-E se descobrisse moedas de ouro no deserto, conseguiria ver este ouro como se fossem pedras?
-Não. Mas conseguiria me controlar para deixá-lo onde estava.
Insistiu Abraão:
-E se você fosse procurado por dois irmãos, um que o odeia, e outro que o ama, conseguiria achar que os dois são iguais?
Disse o ermitão:
-Mesmo sofrendo, eu trataria o que me ama da mesma maneira que o que me odeia.
Naquela noite, ao voltar para o mosteiro de Sceta, Abraão comentou com seus noviços:
-Vou lhes explicar o que é um sábio. É aquele que, ao invés de matar suas paixões, consegue controlá-las.

A brasa isolada


Um membro de um determinado grupo ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar.
Após algumas semanas, o líder do grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria.

O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante de um brilhante fogo. Supondo a razão para a visita, o homem deu-lhe boas-vindas, conduziu-lhe a grande cadeira perto da lareira e ficou quieto esperando.

O líder se fez confortável mas não disse nada. No silêncio sério, contemplou a dança das chamas em torno da lenha ardente.

Após alguns minutos, o líder examinou as brasas, cuidadosamente apanhou uma brasa ardente e deixou-a de lado. Então voltou a sentar-se e permaneceu silencioso e imóvel.

O anfitrião prestou atenção a tudo, fascinado e quieto. Então diminuiu a chama da solitária brasa, houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou de vez. Logo estava frio e morto.

Nenhuma palavra tinha sido dita desde o cumprimento inicial. O líder antes de se preparar para sair, recolheu a brasa fria e inoperante e colocou-a de volta no meio do fogo. Imediatamente começou a incandescer uma vez mais com a luz e o calor dos carvões ardentes em torno dela.

Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
"Obrigado tanto por sua visita quanto pelo sermão. Eu estou voltando ao convívio do grupo".